O que acontece com nosso mundo, com as pessoas que vivem nele? Não é preciso se viver muito para perceber que há certo desespero em todos... Talvez eu esteja sendo ousado ao falar isto, e provavelmente estarei sendo ousado ao dar prosseguimento a este post... Mas há algo que percebo nas pessoas, e não me sai da cabeça que isto é reflexo das nossas escolhas, de nossa cosmovisão.
Preciso voltar então um pouco no tempo e mencionar a velha disputa filosófica sobre o naturalismo. Antigamente, no tempo da Escolástica ainda, era Aristóteles que dominava a visão do mundo. E dentro desta visão, todas as coisas tinham uma causa eficiente e uma causa final. Ou seja, havia algo responsável pela existência de determinado objeto, como o oleiro sendo responsável pelo vaso. Mas havia também a causa final, o motivo para aquilo existir. O oleiro faz um vaso para transportar água, por exemplo. E isto era facilmente transportado para a vida humana, entendida como glorificando a Deus.
Obviamente, esta ideia de causa final não era bem vista por uma visão mecanicista da natureza, principalmente por ser uma janela por onde a fé em Deus saltava facilmente. Nem todo mecanicista era, obviamente, um ateu. Mas não tardou para que este ponto de vista produzisse nossos primeiros ateus e desde que este ponto de vista andou lado a lado com a revolução científica que se seguiu, ela acabou se tornando também um ponto de vista amplamente aceito, geralmente sem questionamentos.
Mas como explicar o mundo sem causas finais? Sabemos por exemplo que o coração bombeia sangue para todo o corpo. Esta é sua função, em outras palavras, esta é sua causa final. Materialistas têm um grande trabalho de tentar explicar a função do coração sem dar entender que ele possui uma finalidade. No entanto, ignorando estas dificuldades, vivemos como se esta cosmovisão fosse verdadeira e assumimos todos os seus pressupostos.
E assim, vejo que a vida humana perdeu todo seu valor. Não somos mais do que matéria sem finalidade. Surgimos de processos totalmente mecânicos e cientistas estão todos os dias tentando dar uma explicação mecanicista de tudo, o que nos inclui. Meus pensamentos, meus sentimentos, minhas dores, tudo isto não passa de reações mecânicas aos estímulos que recebo de meu meio... E então, para onde foi minha identidade?
E percebo como o conflito entre a cosmovisão materialista do mundo e o sentimento humano de buscar um sentido para a própria vida é doloroso. É inegável que o ser humano busque este significado. Alguns podem até negar que busquem um significado para as próprias vidas, imaginando que qualquer um que faça isto inevitavelmente o encontrará em Deus (que não deixa de ser interessante). Mas elas estão de uma forma ou outra buscando este significado em seus amigos, amores, pertences, trabalho...
Mas aliado a esta busca de significado, há o fator já mencionado de perda de identidade. Perdendo sua identidade, aquilo que dá significado para a vida da pessoa é perseguido de forma mais intensa... É então que vemos tantas demonstrações de futilidade neste mundo, vemos pessoas tentando aparecer a todo custo. Mulheres colocando próteses de silicone exageradas, algumas tentando até bater recordes, homens lançando toda sorte de música simplesmente para ficar algum tempo nas paradas de sucesso. A facilidade de se fazer um vídeo e colocar ele online permitiu uma quantidade maior de pessoas nesta corrida. Por que um programa de televisão ou rádio procuraria pessoas que gravam estes vídeos que são os mais populares na internet? Nós estamos nos vendendo por pouca coisa...
E no dia a dia, buscamos inconscientemente aquilo que nos dá mais destaque. Decidimos estudar determinada área, às vezes por que gostamos dela. Mas assim que começamos a estudar, não nos dedicamos como pessoas que escolheram estudar o que gostam. Estudar não dá "brilho" às nossas vidas. Conhecer não é importante. Se o material está sempre disponível para consulta em nossos trabalhos, por que estudar? Não é melhor pegar nossos diplomas logo? E quando estamos trabalhando? Por que estamos sempre mal-humorados e se queixando daquilo que escolhemos? Não seria por que o trabalho em si não traz o significado que esperamos? Não vivemos para o reconhecimento? Eu deixei então o trabalho que eu gosto para viver aguardando o reconhecimento de meus superiores. Não que o reconhecimento seja ruim, mas o problema é que ele muitas vezes se torna a única coisa que importa.
Ser bem-sucedido é o que importa para o mundo. Nos tornamos utilitaristas por que não tivemos escolha... Nossa cosmovisão nos tomou nosso direito de buscar um significado para nossas vidas. Nem os crentes se livram desta influência, pois eles estão buscando a igreja que possui mais membros, eles estão buscando destaque em suas congregações.
Assim segue o mundo então, em busca de sua própria identidade... E será que ele conseguirá se despertar deste pesadelo a tempo?
Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias por amor de Cristo. Porque quando estou fraco, então é que sou forte. - 2 Coríntios 12:10
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quinta-feira, 19 de abril de 2012
segunda-feira, 25 de julho de 2011
Perdão ao próximo
Fui a tua casa ontem, Senhor... Que alegria eu tinha então! O que encontrei lá? O que havia lá? Havia este meu irmão, que dizia muitas coisas que discordo. Minha alegria então se foi com cada uma das palavras que ele dizia.
Por que nossos irmãos são assim, Senhor? Por que discordamos em coisas que não deveríamos discordar? Por que não percebem que muitas vezes estão em desacordo com o que o Senhor mesmo nos ensinou?
Tenho grande vontade de não mais ir ali, para que eu não possa mais ouvir tais coisas, ou para sequer ter que pensar em discutir tais coisas. Mas não seria isto uma fuga, Senhor? Não seria isto uma falta de amor fraterno? Talvez isto seria também uma forma de me sentir melhor do que os outros irmãos, ainda mais se o motivo que me afasta dali é não querer ser confundido com eles?
Sou cheio de falhas graves, caí até o nível mais baixo, mas mesmo assim, Senhor, tu não me abandonaste. Vieste até nós, para salvar cada um dos seus. Não devo eu ter a ti como modelo, e apenas a ti? Não sou melhor que ninguém, não tenho tampouco motivos para fugir de ninguém. Por que teu servo, o apóstolo Paulo, nos aconselha a vencer o mal com o bem, portanto, persistirei no bem, persistirei na humildade, persistirei na paz.
Por favor Senhor, dê-me a oportunidade de servir, ainda que eu discorde ou discordem de mim. Meus irmãos são todos pecadores como eu, e é por isto que como eu, peço que teu Espírito nos renove a cada dia. Me dê por favor Senhor, no entanto, entendimento sobre o que meu irmão pensa e passa em sua vida, pois não poderia eu estar errado em algum ponto também? Me dê a oportunidade ainda, Senhor, de poder expor para ele meu ponto de vista, de forma que ele também possa me entender.
E que eu possa voltar à tua casa, com aquela alegria, que não pode ser abalada por qualquer discordância.
Por que nossos irmãos são assim, Senhor? Por que discordamos em coisas que não deveríamos discordar? Por que não percebem que muitas vezes estão em desacordo com o que o Senhor mesmo nos ensinou?
Tenho grande vontade de não mais ir ali, para que eu não possa mais ouvir tais coisas, ou para sequer ter que pensar em discutir tais coisas. Mas não seria isto uma fuga, Senhor? Não seria isto uma falta de amor fraterno? Talvez isto seria também uma forma de me sentir melhor do que os outros irmãos, ainda mais se o motivo que me afasta dali é não querer ser confundido com eles?
Sou cheio de falhas graves, caí até o nível mais baixo, mas mesmo assim, Senhor, tu não me abandonaste. Vieste até nós, para salvar cada um dos seus. Não devo eu ter a ti como modelo, e apenas a ti? Não sou melhor que ninguém, não tenho tampouco motivos para fugir de ninguém. Por que teu servo, o apóstolo Paulo, nos aconselha a vencer o mal com o bem, portanto, persistirei no bem, persistirei na humildade, persistirei na paz.
Por favor Senhor, dê-me a oportunidade de servir, ainda que eu discorde ou discordem de mim. Meus irmãos são todos pecadores como eu, e é por isto que como eu, peço que teu Espírito nos renove a cada dia. Me dê por favor Senhor, no entanto, entendimento sobre o que meu irmão pensa e passa em sua vida, pois não poderia eu estar errado em algum ponto também? Me dê a oportunidade ainda, Senhor, de poder expor para ele meu ponto de vista, de forma que ele também possa me entender.
E que eu possa voltar à tua casa, com aquela alegria, que não pode ser abalada por qualquer discordância.
segunda-feira, 11 de julho de 2011
Quando nos tornamos falsos?
Ao meu ver, é muito fácil ser taxado hoje em dia de "pessoa falsa"... Parece que dos inúmeros motivos para uma pessoa agir de determinada forma, apenas o caminho da falsidade possui a probabilidade maior de acontecer. E para mim, isto se torna uma grande dificuldade para cumprir um dos ensinamentos de nosso Senhor:
Não é minha intenção identificar quando alguém age com falsidade para conosco. Minha intenção aqui é identificar quando estamos sendo falsos, e como mudar este tipo de comportamento. Assim, quando somos falsos? Certamente é quando nós não conseguimos apagar a raiva ou rancor, quando não conseguimos deixar de lado os motivos que nos impede de gostar daquela pessoa: nós então amamos da boca para fora. Não conseguimos parar por um instante para analisar nossos problemas com relação àquela pessoa e tirarmos disto uma lição. Por que o problema pode estar em nós também, e o mandamento para amarmos nossos inimigos nos força a refletir sobre nossa relação com eles: por que devemos os amar?
Muitas vezes quem não consegue amar seus "inimigos" são aqueles que demonstram certo espírito vingativo. Eles querem que a pessoa de certa forma faça algo para remediar o que aconteceu, mesmo que isto seja a simples iniciativa de pedir perdão, ou de tocar no assunto. É interessante notar que o próprio apóstolo Paulo vinculava o sentimento de vingança com a paz:
Ouvistes que foi dito: Amarás ao teu próximo, e odiarás ao teu inimigo. Eu, porém, vos digo: Amai aos vossos inimigos, e orai pelos que vos perseguem; para que vos torneis filhos do vosso Pai que está nos céus; porque ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons, e faz chover sobre justos e injustos. Pois, se amardes aos que vos amam, que recompensa tereis? não fazem os publicanos também o mesmo? E, se saudardes somente os vossos irmãos, que fazeis demais? não fazem os gentios também o mesmo? - Mateus 5:43-47Quem ama seu inimigo? Quem faz bem para as pessoas que não se dão bem com ela? É difícil imaginar este tipo de coisa acontecer, e de fato isto para nós é muitas vezes uma tarefa difícil. Por isto geralmente somos encarados como pessoas falsas ao tentarmos fazer isto.
Não é minha intenção identificar quando alguém age com falsidade para conosco. Minha intenção aqui é identificar quando estamos sendo falsos, e como mudar este tipo de comportamento. Assim, quando somos falsos? Certamente é quando nós não conseguimos apagar a raiva ou rancor, quando não conseguimos deixar de lado os motivos que nos impede de gostar daquela pessoa: nós então amamos da boca para fora. Não conseguimos parar por um instante para analisar nossos problemas com relação àquela pessoa e tirarmos disto uma lição. Por que o problema pode estar em nós também, e o mandamento para amarmos nossos inimigos nos força a refletir sobre nossa relação com eles: por que devemos os amar?
Muitas vezes quem não consegue amar seus "inimigos" são aqueles que demonstram certo espírito vingativo. Eles querem que a pessoa de certa forma faça algo para remediar o que aconteceu, mesmo que isto seja a simples iniciativa de pedir perdão, ou de tocar no assunto. É interessante notar que o próprio apóstolo Paulo vinculava o sentimento de vingança com a paz:
Se for possível, quanto depender de vós, tende paz com todos os homens. Não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira de Deus, porque está escrito: Minha é a vingança, eu retribuirei, diz o Senhor. Antes, se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber; porque, fazendo isto amontoarás brasas de fogo sobre a sua cabeça. Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem. - Romanos 12:18-21
E talvez o motivo maior para amarmos nossos inimigos é demonstrar na prática, que você está confiando plenamente no julgamento de Deus para este caso: esteja esta pessoa certa ou errada (e você também). Amar, pedir perdão quando possível, ou conversar sobre o problema é sempre louvável, e todos nós devemos procurar isto.
Mas há momentos que a pessoa possui problemas com você também. Uma simples conversa pode ser impossível. Ainda assim, devemos confiar no julgamento de Deus, e temos que refletir bastante sobre o que sentimos. Não basta dizer que o perdoa ou que o ama, devemos sentir isto de verdade.
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